As imagens fortes que retenho desse livro são:
“De noite, sozinha, com uma lanterna na mão, a percorrer as enfermarias de campanha, tratando, vigiando e consolando soldados (…) e os dias, pesados, trabalhando lado a lado com maqueiros, médicos, enfermeiros, voluntários e outros.”
Foram imagens que sempre me acompanharam como "pano de fundo". O exemplo desta mulher fantástica ajudou-me a desbloquear preconceitos familiares e foi responsável pela decisão de me inscrever na "Escola Técnica de Enfermeiras".
A partir do primeiro dia de escola nunca mais fui "EU", passei a ser "NÓS"
Nós, com 17 anos, confrontando-nos com a morte, o sofrimento, as alegrias passageiras, os medos. Tínhamos sempre próximas as professoras enfermeiras, a quem recorríamos para " carregar baterias internas" em momentos mais difíceis. Foram elas que nos ensinaram a ter sempre uma visão holística na nossa actuação como Enfermeiras; a pessoa, a sua doença e tratamento, a sua família, a sua cultura e hábitos, a sua Comunidade.
O juramento de Florence Nightingale e o diploma de fim de curso lançou-nos no mundo, interligando-nos com outros enfermeiros provenientes de diversas escolas do país, entre eles as Enfermeiras da Cruz Vermelha, com quem nos cruzávamos amiúde durante os estágios.
O CUIDAR, o PLANEAR, o SERVIR, o estar ATENTO, o OFERECER-SE de forma voluntária sempre que necessário, são algumas das características da Enfermagem.
E de desafio em desafio, porque sempre que nos pedem, é difícil dizer que não, actuámos em várias áreas; planeando, executando e avaliando resultados.
Ao consagrar este dia ao Enfermeiro, reconhece-se as suas qualidades como científico, investigador e humano.
No momento actual que atravessamos, o exemplo dado pelos Enfermeiros da Cruz Vermelha Portuguesa, assim como de todos Enfermeiros do País, faz-me sentir um enorme orgulho de ser Enfermeira.
Testemunho de
Maria do Carmo Sanches
Enfermeira Especialista em Enfermagem
de Saúde Mental e Psiquiátrica
Voluntária Cruz Vermelha Portuguesa

